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domingo, 18 de maio de 2008

A INFÂNCIA DE JESUS

INTRODUÇÃO

- Uma das maiores provas de que Jesus Se humanizou é a Sua infância e adolescência, que, apesar de pouco mencionadas nas Escrituras, mostram-nos claramente que Jesus Se fez homem, semelhante a qualquer um de nós.

- Muitos têm procurado construir uma infância e adolescência de Jesus totalmente fantasiosas, procurando, com isto, denegrir a revelação bíblica e distorcer o que Deus nos tem revelado sobre a encarnação do Senhor Jesus.

I – O QUE É INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA

Colaboração/Gráfico: Enomir Santos

- No estudo a respeito de Jesus Cristo nas Escrituras, não temos como deixar de enfrentar a realidade de Sua infância e adolescência. Jesus Se fez carne, tornou-Se homem e, assim, como diz conhecido hino natalino de autoria de Martinho Lutero a respeito do Senhor: “criança Tu foste nascida em Belém”.

- Jesus, ao Se humanizar, submeteu-Se a todas as fases do desenvolvimento humano. Ao contrário de Adão, que não teve infância, que já foi criado adulto, Jesus, segundo a promessa de Deus, deveria ser “nascido de mulher”, ser a “semente da mulher” e, portanto, haveria de passar por todas as fases de desenvolvimento humano que os descendentes de Eva, “mãe de todos os viventes” se submeteriam, entre os quais a própria concepção (Gn.3:16).

- A infância é considerada o período de vida que vai desde o nascimento até a idade de doze anos. Com efeito, entre os judeus, logo se criou a tradição de que, com treze anos, o jovem fosse levado ao Templo a fim de receber uma bênção e um aconselhamento moral, porque, desde então, cessava de ser considerado “criança”, passando a ser responsável diante da Lei. Não foi por acaso, aliás, que Jesus foi levado ao templo quando já contava com doze anos (Lc.2:42). Ainda hoje a infância é considerada finda aos doze anos, época em que, normalmente, se iniciam as alterações biológicas próprias da puberdade (o surgimento dos caracteres sexuais secundários), período em que findaria o chamado “sono de Adão”, ou seja, o período em que não há o despertamento sexual no indivíduo. A palavra “infância” tem sua origem na palavra latina “infantia”, que significa “dificuldade ou impossibilidade de falar”, caracterizando, assim, aquela idade em que as pessoas não sabem falar ou tem dificuldade em fazê-lo (entre os judeus, só a partir dos doze anos, é que os jovens judeus passavam a dominar a “língua sagrada”, o hebraico).

OBS: Por isso, estratégia extremamente maligna tem sido a chamada “erotização infantil”, ou seja, o despertamento precoce do desejo sexual, que tantos males têm causado à sociedade na atualidade, uma das principais estratégias do adversário de nossas almas para macular e destruir não só nossas crianças, mas também as famílias.

- Já a adolescência (que, apesar de não constar no título da lição, é também sua parte integrante) é o período que vai dos doze aos dezoito anos de idade, período iniciado com a puberdade e que se encerra com o amadurecimento físico do organismo, que, assim, atinge o seu apogeu, terminando a fase de desenvolvimento e crescimento. Esta classificação, tanto quanto a da infância, persiste até hoje, como se pode ver no Brasil, por exemplo, do chamado Estatuto da Criança e do Adolescente (lei 8.069/1990).

- Estes dois períodos do desenvolvimento humano são os responsáveis pela formação do organismo, pelo crescimento físico e psíquico do ser humano e a eles Se submeteu o Senhor Jesus, visto que teve de ser “nascido de mulher”, bem como ser em tudo semelhante aos Seus irmãos, isto é, aos demais seres humanos. A Bíblia é explícita ao mostrar que Jesus também passou por este processo, ao dizer que “…o menino crescia e se fortalecia em espírito, cheio de sabedoria, e a graça de Deus estava sobre Ele” (Lc.2:40) ou, ainda, “…crescia Jesus em sabedoria, e em estatura e em graça para com Deus e os homens” (Lc.2:52), sendo um versículo correspondente à infância de Cristo e outro, à Sua adolescência.

- Por ter sido criança e adolescente, Jesus pode atender e interceder, com pleno conhecimento de causa, tanto as crianças quanto os adolescentes. Isto é de capital importância sabermos num mundo que tem se notabilizado pelo desvirtuamento cada vez mais precoce das crianças e adolescentes. Como disse o já mencionado hino de Lutero, “criança Tu foste nascida em Belém, por isso às crianças atendes também”, o que pode, também, ser estendido aos adolescentes. Nos dias em que vivemos, não podemos nos esquecer de que Jesus tem a mensagem apropriada e adequada para crianças e adolescentes e que tal mensagem se encontra na Bíblia Sagrada. Por isso, sem dispensar, obviamente, a tecnologia e os métodos apresentados pela psicopedagogia, não podemos deixar de reservar o primeiro lugar à Palavra de Deus, aquela que testifica de Jesus (Jo.5:39), na evangelização das crianças e adolescentes, pois Jesus foi criança e adolescente e tem, portanto, a mensagem adequada para a salvação destas duas faixas etárias.

- É com imensa preocupação que temos tomado conhecimento de certas estatísticas que indicam que o Brasil é o único país em que o analfabetismo funcional (i.e., a incapacidade de compreender o que se lê e se escreve) aumenta entre as crianças e adolescentes, filhos dos que se dizem “evangélicos”. Recentes pesquisas mostram que isto se deve ao fato de que a Bíblia tem sido deixada de lado nas escolas bíblicas dominicais, sendo substituída por métodos audiovisuais. Não somos contra o uso destes métodos, mas não podemos tirar as Bíblias das mãos das crianças e dos adolescentes. Sem a Bíblia, eles serão destruídos (Os.4:6), por não terem conhecimento de Jesus(Mt.22:29; Mc.12:24), o único que, por ter sido criança e adolescente, pode bem compreendê-los e ensiná-los a vencer o mundo, como o fez(Jo.16:33). Acordemos, irmãos, e voltemos às Escrituras! (Is.8:20).

- Não é à toa que o inimigo tem disseminado mentiras, muitas delas bem antigas, vindas dos chamados “livros apócrifos” dos primeiros séculos da igreja cristã, para divulgar a idéia de um Jesus que, enquanto criança e adolescente, era um “super-homem”, um “milagreiro”, um “gênio extraordinário”, com vistas a confundir a imagem bíblica de Jesus com as dos “super-heróis” dos desenhos animados, a fim de evitar que crianças e adolescentes se aproximem de um Jesus que lhes possa ajudar, que lhes possa compreender, que lhes possa vencer o mundo e o pecado, ante tantos bombardeios e ataques malignos da atualidade. Mostremos, porém, que Jesus foi criança e adolescente, simples, pois Sua vida é caracterizada pela simplicidade (II Co.11:3) e, assim, poderemos fazer destas crianças e adolescentes vasos preciosos na casa do Senhor.

II – O EMBRIÃO E FETO JESUS

Colaboração/Gráfico: Jair César

- Como vimos na lição anterior, Jesus foi concebido por obra e graça do Espírito Santo no ventre de Maria (Lc.1:31,35). Embora Jesus não tenha sido fruto de uma relação sexual e, assim, não tenha sido um ovo resultante da fecundação de um óvulo por um espermatozóide, o fato é que, por criação divina, surgiu como um ovo dentro do ventre de Maria, passando esta célula única, gerada diretamente pelo Espírito de Deus, a se multiplicar e ser um embrião, ou seja, “ser humano durante as oito primeiras semanas de seu desenvolvimento intra-uterino”.

- Jesus foi um embrião, concebido no ventre de Maria pelo Espírito Santo, mas um embrião, embrião que foi mostrado pelas Escrituras como um ser totalmente distinto de Sua mãe, com vida própria, a provar, pois, que, ao contrário do que dizem os falsos cientistas que andam defendendo a destruição de embriões para obtenção de células-tronco embrionárias para pesquisas, temos, desde a concepção, uma vida própria, que não é parte do corpo da mãe, como, despropositadamente, têm defendido até alguns supostos “evangélicos” que, neste particular, estão a distorcer totalmente as Escrituras.

- Já no Antigo Testamento se mostrava que o embrião já era uma vida totalmente distinta da mãe. No Salmo 139, Davi nos fala que somos formados de um modo terrível e maravilhoso (Sl.139:4) e que somos alguém mesmo quando ainda um corpo informe (Sl.139:16) e tanto se trata de uma vida que esta fase de nossa existência já está escrita em um livro, livro este, aliás, que outro não é senão um dos livros em que se relatam as obras de todas os homens (Ap.20:12). Somos formados dia-a-dia, ou seja, somos uma vida distinta, totalmente diferente de nossa mãe.

- Jesus mostra-nos isto claramente pois, ainda embrião, assim que concebido no ventre de Maria, no sexto mês de gestação de Isabel, sua prima, foi identificado separadamente de Sua mãe por ação do Espírito Santo pela própria Isabel. Ao ir visitar Isabel em uma cidade de Judá, Maria foi saudada por Isabel e a “criancinha” que estava no ventre de Isabel, ou seja, o feto João Batista, saltou no seu ventre e Isabel foi cheia do Espírito Santo (Lc.2:41) e chamou a Maria de “bendita entre as mulheres” bem como disse que era “bendito o fruto do ventre de Maria” (Lc.2:42), ou seja, uma perfeita distinção entre mãe e o que nela estava gerado, Jesus, então um simples embrião. De igual modo, vemos que Isabel foi cheia do Espírito Santo, mas antes a “criancinha” já havia saltado no ventre de sua mãe, até porque esta “criancinha”, então um feto, seria cheio do Espírito Santo desde o ventre de sua mãe (Lc.1:15).

- Notamos, pois, que Jesus, mesmo um embrião, era um ser totalmente distinto de Sua mãe, bem como demonstra, desde este início da Sua existência terrena, a Sua dupla natureza. Embora fosse um embrião, localizado no ventre de Sua mãe, com um corpo ainda informe, era “Deus conosco”, a ponto de Sua presença fazer saltar João Batista no ventre de Isabel e proporcionar que Isabel fosse cheia do Espírito Santo, profetizando a Seu respeito, produzindo, na própria Maria, alegria espiritual que a fizesse também entoar o seu cântico, onde se identifica como “a serva do Senhor”.

- Jesus, assim, inicia a Sua existência terrena como um embrião, para nos mostrar que o embrião é um ser humano e que, como tal, tem vida própria, ainda que sua fecundação se dê “in vitro”, fora do útero materno, sem que tenha havido uma relação sexual, pois, afinal de contas, Jesus também não foi fruto de uma fecundação natural.

- Esta lição que Jesus nos deixa é mais do que suficiente para mostrar que nem a pesquisa com células-tronco embrionárias nem o aborto são procedimentos que tenham respaldo bíblico, visto que são vidas distintas e que não fazem parte do corpo da mãe e, como tal, são assunto única e exclusivamente do dono da vida, o Senhor Deus (I Sm.2:6). Decidir sobre a vida alheia é matéria que não compete a homem algum.

- Jesus teve um processo de desenvolvimento normal como embrião e feto. As Escrituras dizem-nos que Jesus nasceu quando “…se cumpriram os dias em que ela [Maria, observação nossa] havia de dar à luz” (Lc.2:7). Uma gestação normal, um nascimento como o de qualquer outro ser humano, do ponto-de-vista biológico.

II – O NASCIMENTO DE JESUS

- Em seguida, a Bíblia nos registra o nascimento de Jesus, episódio bem conhecido de todos, até porque tradicional se tornou a sua comemoração na Cristandade, o Natal, que é celebrado no dia 25 de dezembro (6 de janeiro entre os ortodoxos), data instituída em Roma pelo Papa Líbero em 354 d.C. e que coincidia com a festividade do “dies solus invictus”, ou seja, a comemoração do solstício de inverno, o dia mais curto do ano em o hemisfério Norte, data que fazia parte do calendário das festividades pagãs e do culto mitraico, religião originada na Pérsia e que havia se disseminado no exército romano.

- A Bíblia traz-nos com pormenores este evento que, por sinal, jamais poderia ter ocorrido em dezembro, uma vez que os pastores estavam no campo, guardando o rebanho, quando lhes foi anunciado o nascimento do menino, prova de que não se estava em pleno inverno, como se dá em dezembro na Palestina.

- Jesus nasceu em Belém, porque José e Maria, descendentes do rei Davi, tiveram de ir a Belém por conta do recenseamento determinado pelo imperador César Augusto, quando Cirênio era presidente da Síria, o que põe o ano de 4 a.C. como sendo a provável data de nascimento do Senhor Jesus (o que demonstra, aliás, o erro do chamado “calendário gregoriano”, que é o calendário adotado pelo Ocidente).

- Na descrição bíblica do nascimento de Jesus, vemos, uma vez mais, estampadas Sua divindade e humanidade. Jesus nasceu como qualquer outro ser humano. Sua mãe deu à luz a ele em uma estrebaria, pois o casal não havia encontrado lugar nas estalagens de Belém, que se encontrava lotada por causa do recenseamento, tendo, após o nascimento, envolto o menino em panos e o posto em uma manjedoura (Lc.2:7). Estas circunstâncias mostram-nos claramente que Jesus nasceu como um pequenino bebê, que carecia de calor dos panos e que cabia em uma manjedoura. Era um bebê como qualquer outro, um ser humano.

- Entretanto, ao mesmo tempo em que, na estrebaria, vemos o menino Jesus em Sua toda humanidade, a Bíblia também nos conta que coros celestiais de anjos vieram louvar o menino, depois que um anjo se apresentou aos pastores, que guardavam o rebanho em Belém, anunciando o nascimento do Salvador, Cristo, o Senhor (Lc.2:8-11,13). Anjos louvavam a Deus e chamavam aquele recém-nascido de Senhor, revelando, assim, toda a Sua divindade, que não se havia perdido apesar da humanização. A glória de Deus se revelava e demonstrava quem era aquele menino que estava na manjedoura, sinal, aliás, relatado pelo próprio anjo. Era o homem em toda a sua pequenez na manjedoura, mas, era, também, Cristo, o Senhor, celebrado pelos anjos.

- Jesus apresenta-Se, então, como Aquele que é louvado pelos anjos, mas, também, como o menino recém-nascido, que é visto envolto em panos na manjedoura pelos pastores. O menino foi encontrado deitado na manjedoura, porque ali fora posto pela Sua mãe. Era, pois, um indefeso bebezinho, igual a tantos outros que costumamos ver nas maternidades de hoje. Nada especial, nada diferente, mas um bebê como qualquer outro, salvo pela forma como fora gerado e que não era do conhecimento de ninguém, a não ser de José e de Maria (Lc.2:19).

- O encontro com aquele menino recém-nascido, porém, não era um encontro com qualquer bebê. Os pastores, após terem tido aquela visão gloriosa do anjo e dos coros celestiais, foram até Belém e lá viram um menino deitado na manjedoura, envolto em panos. No entanto, saíram dali convencidos que aquilo que o anjo dissera e que os coros louvaram era a pura realidade. Dali saíram contando o que haviam visto, divulgando a palavra que receberam (Lc.2:17,18). Já era a atuação do Espírito Santo na vida daqueles pastores, que passaram a glorificar a Deus e a anunciar o nascimento do Salvador. Quem Se encontra com Jesus, ainda que seja o pequenino e indefeso bebê da manjedoura, não pode deixar de anunciar a salvação que, na pessoa desse homem, foi trazida ao mundo da parte do Pai.

- Que exemplo nos dão os pastores de Belém. Anunciaram a Jesus, depois de terem visto um bebê recém-nascido na manjedoura! E quantos, que dizem ter encontrado Jesus, calam-se, na atualidade, apesar de Jesus Cristo homem estar a mediar a humanidade e Deus, à mão direita do Pai, em toda majestade e esplendor? Como pode alguém que diz ter encontrado Jesus, um Jesus glorioso, vencedor da morte e do pecado, um Jesus como o que foi visto por João no capítulo 1 do Apocalipse, e permanecer silencioso, sem divulgar esta salvação? Que o exemplo dos pastores de Belém sirva para que verifiquemos se, realmente, temos encontrado a Jesus.

- Na descrição bíblica do nascimento de Jesus, nada vemos de extraordinário com relação a Seu nascimento, ao fato biológico do nascimento, nem haveríamos de encontrar. A Sua deidade não pudera ser dEle retirada, e, por isso, anjos vieram louvar Seu nascimento, mas se mantiveram no céu, exaltando o Seu nome. Na terra, tínhamos um bebezinho que se encontrava deitado numa manjedoura, envolto em panos. Este bebê não deixara de ser Deus, mas Se despira de toda a Sua glória, parta nascer de mulher, para nascer sob a lei (Gl.4:4).

- Daí porque já dever ser refutada toda narrativa fantasiosa que apresente um Jesus que nasceu e, de forma miraculosa, já Se apresentou, ainda recém-nascido, como um “super-homem”, como um “ser especial”. Nos dias em que vivemos, grande divulgação têm merecido os chamados “evangelhos da infância” ou “evangelhos da natividade”, escritos não inspirados que surgiram ao longo dos primeiros séculos da igreja cristã, querendo “aumentar” o caráter miraculoso do nascimento de Jesus, “acrescentando” dados fantásticos e sobrenaturais a este episódio, algo, aliás, que costumamos ver, lamentavelmente, em “testemunhos” contados por alguns em os nossos púlpitos…

- Estes escritos são puras invencionices, fruto da imaginação de pessoas que não tinham qualquer compromisso com a verdade. Não passam de fábulas artificialmente compostas (II Pe.1:16), que querem causar “impacto” nos leitores e ouvintes, como se isso fosse necessário para gerar temor e tremor diante de Deus ou para assegurar a dupla natureza de Jesus e Seu caráter singular diante de todos os homens. São mentiras que foram rechaçadas pelos cristãos do tempo em que foram divulgadas e espalhadas e que, hoje, por força da operação do erro, do espírito do anticristo, renascem das tumbas para onde haviam sido lançados pelos crentes primitivos, a fim de fazer com que os que rejeitam o Evangelho sejam cada vez mais enganados e iludidos (II Ts.2:7-12).

- Assim, hoje têm sido publicados e traduzidos para inúmeras línguas estes “evangelhos da infância” ou “evangelhos da natividade”, escritos sem qualquer inspiração, que trazem fantasias enormes a respeito do nascimento, da infância e da adolescência de Jesus, valendo-se do relativo silêncio da Bíblia a respeito.

- Assim, por exemplo, o chamado “Protoevangelho de Tiago” ou “Livro de Santiago” bem como o “Evangelho do Pseudo Mateus” dizem Jesus ter nascido em uma gruta, depois de uma luminosidade intensa, ocasião em que teria, de imediato, se pegado ao peito de Sua mãe, que, aliás, teria se mantido virgem. Bem se vê que é neste escrito que se construiu a tese do “nascimento virginal de Cristo”, ou seja, de que Maria se manteve virgem mesmo tendo dado à luz a Jesus, o que é totalmente contrário ao que nos ensinam as Escrituras que não só não diz que Maria tenha se mantido virgem, como que Maria teve outros filhos além de Jesus. Como se não bastasse, este livro conta que Jesus teria curado, ainda na gruta, uma mulher que não havia crido que Maria tivesse se mantido virgem, o que é um perfeito absurdo, pois, então, Jesus teria usado da Sua divindade, logo no limiar da Sua existência, contrariando, deste modo, toda a “kenosis”, absolutamente necessária para nos abrir a porta da graça.

- O chamado “evangelho árabe da infância”, também, diz que, ainda no berço (que berço?), Jesus teria dito a Maria: “Eu sou Jesus, o filho de Deus, o Verbo, a quem tu deste à luz de acordo com o anunciado pelo anjo Gabriel. Meu Pai Me enviou para a salvação do mundo”. Teria, também, ainda dentro da “gruta”, curado uma mulher de paralisia, que teria sido criada e serva de Jesus dali para a frente. Tal narrativa fantasiosa deve ter sido a fonte de inspiração de Maomé no Alcorão, onde Jesus, também, é apresentado como tendo falado logo após Seu nascimento, dando conta de que era “Profeta de Alá”. Todos estes relatos são absurdos, porque jamais Jesus deixaria a Sua condição de homem e assumiria a de Deus, negando, assim, toda a Sua obra. Muito pelo contrário, a Bíblia nos revela que Jesus cumpriu toda a obra que o Pai Lhe havia dado a fazer (Jo.17:4).

OBS: Reproduzimos aqui o trecho do Corão, provavelmente inspirado no “evangelho árabe da infância”: “…E ela [Maria, observação nossa] chegou com ele [Jesus, observação nossa], a seu povo, carregando-o. Disseram: ‘Ó Maria! Com efeito, fizeste uma cousa assombrosa! ‘Ó irmã de Aarão! Teu pai não era pessoa atreita ao mal e tua mãe não era mundana!’ Então ela apontou para ele. Eles disseram: ‘Como falaremos a quem está no berço, em sendo infante?’ O bebê disse: ‘Por certo, sou o servo de Allah. Ele me concederá o Livro e me fará Profeta, e me fará abençoado, onde quer que esteja, e me recomendará a oração e o az-zakah [esmola, observação nossa], enquanto permanecer vivo. E me fará blandicioso para com minha mãe, e não me fará tirano, infeliz; e que a paz seja sobre mim, no dia em que nasci, e no dia em que morrer e no doa em que for ressuscitado, vivo!’. Esse é Jesus, filho de Maria. É o Dito da verdade, que eles [os cristãos, observação nossa] contestam…” (19:27-34 – Tradução do sentido do Nobre Alcorão para a língua portuguesa, com a colaboração da Liga Islâmica Mundial, em Makkah Nobre, por dr. Helmi Nasr, pp.486-7).

- Após ter nascido na estrebaria, Jesus, como todo judeu, foi circuncidado no oitavo dia de sua vida (Gn.17:12; Lv.12:3; Lc.2:21), quando, então, Lhe foi dado o nome de Jesus, em cumprimento à ordem do anjo, o que, de pronto, desmonta estas “pregações de recém-nascido” que têm sido alardeadas pelos “escritos apócrifos”. É interessante observar que a narrativa de Lucas mostra um menino Jesus totalmente indefeso, dependente, como toda criança recém-nascida. Em toda a narrativa, Jesus não pratica qualquer ação, é sempre o objeto das ações dos outros homens, é o que os gramáticos chamam de “paciente” (foi envolto em panos, deitado na manjedoura, visto pelos pastores, foi circuncidado e dado a ele o nome). Isto é uma demonstração de que Jesus, assim como qualquer outro recém-nascido, como qualquer outro neonato, dependia inteiramente de seus pais.

- A circuncisão de Jesus é, ademais, o primeiro ato que demonstra que Jesus nasceu sob a lei (Gl.4:4), que deveria cumprir integralmente a lei de Moisés (Mt.5:17). Assim, quando já tinha quarenta dias de vida, conforme a lei, foi levado ao templo com Seus pais, a fim de que se fizesse o sacrifício relacionado à purificação de Sua mãe (Lv.12:4). Naquela oportunidade, foi oferecido um par de pombinhos ou de rolas (Lc.2:24), numa demonstração de que José e Maria eram pobres, apesar de sua descendência real (Lv.12:8).

OBS: Tem-se aqui uma outra prova de que o parto de Jesus foi normal, porque só nestes casos é que havia a necessidade do sacrifício da purificação que, pela tradição judaica, é dispensado em outros casos, como o da cesariana, como se encontra no Talmude, no tratado Nidá 40.

- Vemos, portanto, que Jesus nascia em uma família humilde, pobre, de modo que a pobreza de que nos fala o apóstolo em relação a pessoa de Jesus (IICo.8:9), não envolve apenas a questão da “kenosis”, mas também abrange a própria condição econômico-financeira da “sagrada família”. Ao contrário do que apregoam os “teólogos da prosperidade”, Jesus não nasceu rico, mas, sim, bem humilde, tanto que seus pais ofereceram o mínimo previsto na lei para a purificação de Maria. A este tempo, aliás, também a criança já havia sido consagrada ao Senhor, pois, da idade de um mês, fora resgatada por ser o primogênito do casal (Nm.18:15,16; Lc.2:7,23).

- Tanto não havia nada de especial em Jesus que, somente pelo Espírito Santo, Jesus foi identificado por Simeão como sendo o Cristo do Senhor (Lc.2:26,27). Mais uma vez, quando o menino entrava, pela vez primeira, no templo de Jerusalém, eram apresentadas tanto a Sua humanidade quanto a Sua deidade. Era um simples menino, que acompanhava seus pais para a purificação de Sua mãe, um casal pobre, que ofertava o mínimo possível, enquanto que, simultaneamente, o Espírito Santo usava o velho Simeão para apresentar aquela criança como sendo o Messias, o Salvador do mundo, o Verbo que Se fizera carne.

- Ao mesmo tempo em que Simeão tomava o menino nos seus braços, indicando tratar-se de uma criança recém-nascida, que nos braços de um ancião bem cabia, era chamado pelo sacerdote de “a Tua salvação preparada”, “luz para alumiar as nações e para glória de Teu povo Israel”(Lc.2:30-32). Enquanto dizia já poder morrer em paz, porque já vira a salvação de Deus para o Seu povo, também abençoava o menino e o casal, a indicar, pois, como Jesus é homem e é Deus simultaneamente. Como Messias, traria elevação e queda de muitos em Israel; como homem, provocaria grande tristeza em Sua mãe quando de Sua morte (Lc.2:34).

- Mas não foi apenas Simeão que viu aquele pequenino como o Salvador do mundo, uma visão que corresponde à dos pastores de Belém, mas também Jesus foi revelado como o Messias à profetisa Ana, da tribo de Aser, a demonstrar que Jesus estava vindo para toda a nação de Israel, para todos, homens e mulheres. Àquela viúva, idosa, mas que não se afastava do templo, o Espírito Santo também revelou quem era aquela criança e, assim como os pastores, Ana não pôde se calar e a todos divulgava a boa-nova, o Evangelho (Lc.2:36-38), o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (Rm.1:16 “in medio”).

- Estes episódios narrados por Lucas mostram-nos com grande clareza que Jesus, na aparência, era uma criança como qualquer outra, sem nada que O pudesse distinguir dos demais e que apenas pelo Espírito Santo poderia ser identificado como o Messias, identificações que foram feitas com o propósito de nos fazer compreender que, embora humanizado, Jesus jamais perdeu a Sua deidade.

III – A INFÂNCIA DE JESUS

- Cumprida a lei, vemos que José e Maria passaram a residir em Belém de Judá. Com efeito, vemos o casal e o menino em uma casa (Mt.2:11), quando foram visitados pelos magos do Oriente, que, conforme se vê do texto, haviam visto a “estrela de Belém” num período inferior a dois anos de quando O encontraram em Belém (Mt.2:16).

- Isto nos permite observar, pois, que as famosas cenas dos presépios, onde vemos a “sagrada família” recebendo a visita dos magos ainda na estrebaria não corresponde à realidade do texto bíblico. O presépio, aliás, foi uma criação de Francisco de Assis que, no século XIII, quis retratar o nascimento de Jesus de forma a realçar a Sua pobreza, um de seus principais lemas que o levou a fundar a ordem religiosa dos franciscanos. Assim, acabou adotando a gruta dos escritos apócrifos e incluindo os magos, o que, porém, não tem respaldo das Escrituras.

- Tendo os magos visto a “estrela” no dia do nascimento de Jesus e até interpretarem o que isto significava e, por fim, resolvido viajar até Jerusalém para adorarem o “rei dos judeus”, decorreu um bom período, período este que é inferior a dois anos, diante da deliberação de Herodes de matar a todas as crianças de dois anos para baixo que haviam nascido em Belém.

- Os magos foram procurar o “rei dos judeus” em Jerusalém (Mt.2:1,2), mas acabaram encontrando o menino em Belém, em uma casa, prova de que o casal se instalara naquela cidade, pelo menos neste período de menos de dois anos após o nascimento de Jesus. Nada havia de especial no menino, como se pode perceber, tanto que preciso foi que a “estrela” os guiasse, depois que sua sabedoria humana os conduzira, equivocadamente, a Jerusalém.

- Mais uma vez, observamos que a deidade de Jesus não Lhe deixara, apesar de ser apenas um menino de menos de dois anos de idade que morava em uma casa em Belém. Os magos haviam entendido ser ele o rei dos judeus e digno de adoração (portanto, divino), por causa da “estrela” que haviam visto no Oriente, ou seja, pelos sinais dos astros que, como parte da natureza, também manifestam a glória de Deus (Sl.19:1; Rm.1:20), o que pode ter sido interpretado à luz de ensinos judaicos conhecidos dos babilônios desde a época do cativeiro, como também pelas Escrituras que, devidamente interpretadas pelos escribas e pelos príncipes dos sacerdotes em Jerusalém, apontaram Belém como o lugar de nascimento do Messias (Mt.2:4-6). Destarte, vemos que Jesus só pode ser reconhecido como Deus pela revelação, seja ela natural ou escriturística.

OBS: “…Ainda que a Escritura nada de positivo diga, pode haver alguma verossimilhança nas lendas antigas citadas pelo historiador judaico Josephus, segundo as quais existia antes e depois do Dilúvio uma revelação divina no estudo dos astros. Essa revelação teria vindo de Seth ou, segundo outros escritores, teria origem nos profetas primitivos, como Enoque. Essas lendas, no tempo moderno, mereceram uma exposição de F. Rolleston e de outros teólogos, como Joseph Seiss, E. Bullingerm etc., que procuraram coligar a isso os fragmentos das tradições dos antigos sobre as doze constelações do Zodíaco, desde a Virgem até o Leão. Nestes encontramos de fato muitos nomes de estrelas e de constelações que sugerem, pelo que representam, certas faces interessantes que coincidem com figuras da revelação divina(…). Todas essas constelações e estrelas, vemos, são representadas por figuras de homens, de aves, de quadrúpedes e de répteis. Não é absurdo que o Universo tenha simbolizado o caminho de Deus para o homem antediluviano e pós-diluviano, talvez durante os dois mil e quinhentos anos antes da existência de qualquer Escritura(…). Mas, como o homem por si só e por sua própria sabedoria é inapto para conhecer a Deus e a Sua sabedoria, desvirtuou ele esses sinais para a mais grosseira idolatria, o que teve princípio em Babel ou Babilônia, a mãe das prostituições e abominações da terra, Ap.17.5.…” (NYSTROM, Samuel. Jesus Cristo, nossa glória. 2.ed., pp.35-6).

- Ao encontrarem o menino, adoraram-nO, apesar de ser um simples menino, tendo, ainda, trazido ofertas para a criança, de ouro, incenso e mirra (Mt.2:12), dádivas que simbolizavam o tríplice ministério de Jesus, ou seja, de rei (ouro), sacerdote (incenso) e profeta (mirra), vez que o ouro representa a realeza, o incenso, que era usado pelos sacerdotes como parte acompanhante dos sacrifícios e, por fim, a mirra, resina de planta do mesmo nome de aroma agradável e gosto amargo, com propriedades adstringentes (i.e., que provocam constrição, compressão, em termos figurados, arrependimento) e anti-sépticas(i.e., que impedem a contaminação, que cura, que mata os germens, em termos figurados, o pecado), características que acompanham sempre aquele que é porta-voz do Senhor.

- Em seguida, ante a revelação divina aos magos para que não dissessem a Herodes onde estava o menino, antes que houvesse a matança dos inocentes em Belém, José e Maria foram avisados para descessem ao Egito, o que lhes foi possível porque, com as dádivas recebidas pelos magos, tinham condições para se estabelecer naquela terra estranha, onde, afinal de contas, havia uma grande colônia judaica. A Bíblia não nos diz onde Jesus esteve no Egito, mas os cristãos coptas (como são conhecidos os cristãos do Egito, Etiópia e Eritréia, países do Norte da África, que, tradicionalmente, foram “governados” pelo patriarca de Alexandria e que se mantêm uma igreja independente, com cerca de 40 milhões de fiéis), não sem muitas superstições, mantêm locais considerados como tendo sido visitados e habitados pela “sagrada família”, que, hoje, faz parte da chamada “Rota Sagrada”, um dos itinerários turísticos oficiais do governo do Egito.

OBS: A “Rota Sagrada”, inclusive, foi objeto de uma investigação pela antropóloga brasileira Fernanda de Camargo-Moro (1933- ), que escreveu um livro a respeito, “Nos passos da sagrada família –um outro Egito”.

- Jesus esteve no Egito até a morte de Herodes, quando José e Maria, novamente por revelação divina, deixaram o Egito e foram morar em Nazaré, já que José temeu retornar a Judéia, vez que ali reinava Arquelau, filho de Herodes (Mt.2:22), enquanto que, na Galiléia, onde ficava Nazaré, o governante era Herodes Antipas (20 a.C. – 39 d.C.), o mesmo que foi, certa feita, chamado de “raposa” por Jesus (Lc.13:32), que, apesar de também ser filho de Herodes, era pessoa de menor crueldade e menos apegado aos valores judaicos.

- Quando Jesus volta do Egito, adquiriu a consciência. Com efeito, o profeta Isaías nos dá conta de que o Messias atingiria a consciência quando morressem dois reis, oportunidade em que, em vez de render-se ao mal e abandonar o bem, como sói ocorrer com todo ser humano, Ele haveria de escolher o bem e renunciar ao mal (Is.7:15). O fato é que, como profetizado por Isaías, a Judéia ficou desamparada de reis. Não só Herodes falecera, como ocorreu a morte de Gaio César, filho de Augusto, que estava sendo preparado para sucedê-lo e que era uma espécie de vice-rei nas províncias orientais, que, inclusive, era assessorado por Cirênio (Lc.2:2).

- O profeta, ainda, mostra-nos que, mesmo no Egito e após ter recebido as dádivas dos magos, a “sagrada família” vivia humildemente, já que Jesus era alimentado com “manteiga e mel”, típica refeição dos desapossados naquele tempo (Is.7:15). Além de viverem como estrangeiros, José e Maria tiveram outros filhos, o que aumentava a necessidade dentro de casa. Tanto é verdade a situação simples em que vivia a “sagrada família”, que foram morar em Nazaré, local completamente ignorado, mesmo na Galiléia, alvo de todo tipo de preconceito (Jo.1:46). Quão diferente é a Bíblia das fantasias trazidas pelos “teólogos da prosperidade”…

- Nazaré era localidade que nem sequer foi objeto de menção no Antigo Testamento, nem mesmo quando houve a divisão da terra, também não tendo sido mencionada nenhuma vez por Flávio Josefo, apesar de ele ter sido governador da Galiléia. Vemos, assim, que, tanto antes, quanto depois da passagem de Jesus por este mundo, Nazaré foi sempre aviltada e desprezada enquanto lugar. Por causa disto, alguns estudiosos chegam a pensar que Nazaré seria uma aglomeração urbana irregular, uma espécie de ajuntamento de pessoas desqualificadas ou marginalizadas na sociedade, algo como os “favelões” das metrópoles atuais. Foi nesta localidade obscura que José e Maria foram habitar, levando consigo Jesus e os filhos que já haviam nascido do casal.

OBS: “…A Nazaré dos anos cinco anos antes de Cristo até os dezesseis da era cristã era o que hoje são as favelas das grandes metrópoles mundiais. Chamar alguém de Nazareno, na época de Cristo Jesus, era a mesma coisa que chamar, nos dias de hoje, um cidadão decente de traficante e delinqüente. Talvez os morros das mais temíveis favelas onde, supostamente, são controlados os que entram e os que saem, sejam mais sociáveis do que era, naquela época, a aldeia de Nazaré, onde Cristo Jesus foi criado e confinado até os trinta anos de idade…” (CARVALHO, Ailton Muniz de. O Cristo desconhecido dos judeus, da ciência e até mesmo dos ‘cristãos’, p.135)

- No Egito e, depois, em Nazaré, a Bíblia nos diz que Jesus, enquanto menino, “…crescia, e se fortalecia em espírito, cheio de sabedoria e a graça de Deus estava sobre Ele” (Lc.2:39). Este texto bíblico mostra-nos que não tem qualquer cabimento a atribuição de milagres a Jesus durante a Sua infância e adolescência. Verdade é que, ao contrário do que ocorre com os demais seres humanos, Jesus, ao adquirir a consciência, optou pelo bem e não pelo mal, o que o impediu de se tornar escravo do pecado, mas daí a chegar a conclusões de que maravilhas, sinais e prodígios foram realizados por Jesus há uma grande distância.

- Em toda a Sua humanidade, Jesus era um “menino”, que “crescia”. Estava submetido ao processo de desenvolvimento como todo indivíduo, porque realmente Se fez carne e, em virtude disto, necessitava crescer tanto física quanto psíquica e espiritualmente. Seu crescimento e fortalecimento, diz-nos o texto bíblico, era “em espírito”. Em primeiro lugar, portanto, o crescimento de Jesus Se dava na comunhão com o Senhor. O espírito faz a ligação entre Deus e o homem e Jesus crescia, enquanto homem, neste quesito, até, quando Se tornou responsável diretamente diante de Deus, segundo a lei, a iniciar a tratar dos negócios de Seu Pai (Lc.2:49).

- O fato de a Bíblia dizer que o menino crescia e se fortalecia, é a prova de que a plenitude do Espírito Santo não estava ainda sobre o menino ou o adolescente Jesus. Tinha Ele tido a consciência do bem e do mal, escolhendo o bem, o que proporcionou o início do Seu progresso espiritual, mas, de modo algum, pode-se admitir um Jesus milagreiro, como o apresentado pelos “evangelhos da infância”. Nem no Egito, nem em Nazaré, Jesus fez qualquer milagre, pois ainda não era chegada a hora.

OBS: Muitos têm enfatizado estes “evangelhos” na atualidade, com um sem-número de absurdos. Assim, segundo estes livros apócrifos, entre outros “milagres” de infância, Jesus teria feito a terra do Egito tremer e um ídolo se desfazer ao Se aproximar com Seus pais do lugar, de ter havido expulsão de demônios por causa de um pano lavado por Maria que tinha estado no corpo do menino Jesus, de ter causado, com Sua aproximação, a libertação de reféns por bandidos do deserto, de ter dado fala a uma muda só quando, nos braços dela, ter mexido seu corpinho na mulher, de ter sido curada uma leprosa só com a água com que se lavara o menino Jesus, de ter sido posto sobre um mulo, que havia sido homem, e ter feito o mulo virar homem novamente, de Seu suor ter se transformado num bálsamo milagroso que existe perto de uma árvore em Matarieh no Egito, de ter feito andar umas figurinhas de barro que havia feito com amiguinhos em brincadeiras e outras fantasias, que não têm qualquer cabimento.

“…Nesta ocasião, qualquer milagre que venha a ser creditado ao Menino Cristo Jesus será apenas mera especulação de pensadores patéticos, pois, Ele, como criança, nada poderia fazer, nem mesmo como menino Deus, que de fato era; porque menino é sempre menino. Mesmo sendo o Messias, o ungido de Deus, já estava previsto nas Escrituras que Ele nada poderia fazer até que os dois reis da terra, que se enfadaram com Seu nascimento, vivessem. Ambos morreram simultaneamente, exatamente alguns dias antes de Deus, através do anjo, autorizar seu retorno do Egito para Israel (Isaías 7,15-16) (CARVALHO, Ailton Muniz de. O Cristo desconhecido dos judeus, da ciência e até mesmo dos ‘cristãos’, pp.162-3).

- Esta passagem bíblica também nos indica que, se Jesus, sendo Deus, enquanto homem necessitava crescer e se fortalecer em espírito, que diremos de nós? Não se pode exigir de um ser humano que atinja, de imediato, a plenitude espiritual. Muito pelo contrário, a Bíblia é repleta de textos que nos indicam a necessidade de crescermos na graça e no conhecimento de Jesus (II Pe.3:18), de nos aperfeiçoarmos continuadamente (Ef.4:11-14). Como diz o presbítero Walter Marques de Melo, da Assembléia de Deus do Belenzinho (São Paulo/SP), em São Paulo, a vida espiritual é uma escada, em que temos de subir degraus todos os dias, onde uns sobem mais rápido do que outros e onde, certas vezes, até mesmo descemos. Tomemos, pois, cuidado com o imediatismo que tanto tem invadido os corações de muitos na atualidade.

- Além do Seu desenvolvimento como qualquer ser humano, em todos os sentidos, o menino Jesus era “cheio de sabedoria’ e “a graça de Deus estava sobre Ele”. Isto nos mostra, claramente, que qualquer que mantém a sua comunhão com Deus, optando pelo bem e rejeitando o mal, enche-se de sabedoria, a verdadeira sabedoria, aquela que, como nos diz o apóstolo Tiago, vem do alto e, por isso, é, primeiramente, pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade e sem hipocrisia (Tg.3:17). O menino Jesus não era “milagreiro”, não vivia fazendo sinais, mas era “cheio de sabedoria” e, como tal, produzia frutos que demonstravam a sua comunhão com Deus.

OBS: Por isso, não têm cabimento relatos dos “evangelhos da infância” que mostram um menino Jesus “arteiro” e “vingativo”, que transformava rapazes que brincavam com ele de “esconde-esconde” em cabritos ou, então, que tenha secado uma criança que havia contendido com Ele ou que matou uma criança que O havia golpeado ou, ainda, que fez secar a mão e matou o professor que não gostara de Sua resposta.

- Mas, além de ser “cheio de sabedoria”, o menino Jesus tinha a “graça de Deus sobre Ele”. Vimos, em lição anterior, que, enquanto Deus, o Verbo era cheio de graça e de verdade. Enquanto homem, Jesus precisava que a “graça de Deus” estivesse sobre Ele. Se Jesus, sem pecado, tendo optado pelo bem e rejeitado o mal, necessitava que a graça de Deus estivesse sobre Ele, que diremos de nós? Nunca devemos nos esquecer de que a graça de Deus está sobre nós e que, por isso, podemos chegar à glorificação, por este motivo temos a vida eterna. É tudo pela graça, que se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens (Tt.2:11), graça esta que nos ensina a abandonar o mundo, a rejeitar o mal, assim como fez o menino Jesus assim que adquiriu consciência (Tt.2:12).

- Este é o modelo de criança que devemos ter em nossos lares, em nossas igrejas locais, em nossa sociedade. As crianças devem ser educadas a crescer, a se fortalecer em espírito, a se encherem de sabedoria, a terem sobre si a graça de Deus. Ao adquirirem a consciência, perdendo a inocência, devem ser ensinadas a rejeitar o mal que, inevitavelmente, abraçam, estimuladas e incentivadas a seguir o bem, a terem comunhão com Deus. Para tanto, precisam ser apresentadas a Jesus, ao autor e consumador de nossa fé, para que, nEle e com Ele, venham a crescer, fortalecer-se em espírito, encher-se de sabedoria e ter a graça de Deus sobre si. Temos levado este ensino, esta instrução às nossas crianças?

IV – A ADOLESCÊNCIA DE JESUS

- Quando Jesus atinge os doze anos de idade, é chegado o instante em que deve se tornar um “Bar Mitzvah”, ou seja, um “Filho do Mandamento”. Segundo a tradição judaica, aos treze anos se teria a idade apropriada para se começar a cumprir os 613 mandamentos da lei de Moisés, o que viria a ser, posteriormente, passado a escrito no Talmude (o segundo livro do judaísmo): “…’Até o décimo terceiro ano, observou o Tana (Sábio) Eleazar, ‘é dever do pai educar seu filho. Mas depois disso, ele deve dizer: ‘Abençoado seja Aquele que tirou de mim a responsabilidade por esse rapaz.’…’” (AUSUBEL, Nathan. Bar mitzvah. In: A JUDAICA, v.5, p.65).

OBS: Recentemente tivemos conhecimento de que alguns grupos evangélicos envolvidos com a visão celular estão a realizar uma cerimônia semelhante, a que chamaram de “bar barakah” (filho da bênção ou filho da prosperidade), no qual pretendem “reforçar a identidade e sexualidade de seus filhos, evitando com isso as distorções que o inimigo tem colocado na sociedade e nas famílias, trazendo distúrbios no caráter e no comportamento sexual de nossos filhos”. Nada mais antibíblico! A responsabilidade dos pais é educar os filhos na sã doutrina, desde a mais tenra idade, pois só assim não serão iludidos pelo inimigo de nossas almas. De nada adianta ritualismos ou palavras solenes. Deixemos estes fermentos de judaísmo que estão a infestar a sã doutrina!

- Assim, natural que, ao ter completado doze anos, Jesus tenha sido levado pelos Seus pais ao templo de Jerusalém para que assumisse, doravante, a responsabilidade pela observância dos mandamentos da lei mosaica. “…Na Antigüidade, o rapaz que fazia Bar Mitzvah em Jerusalém era levado por seu pai ao sacerdote do Templo ou aos Anciãos, a fim de receber sua bênção, seu aconselhamento moral, e sua prece ‘para que se lhe garantisse uma porção na Torah e no cumprimento de boas ações’…” (AUSUBEL, Nathan, op.cit.).

- É por este motivo que as Escrituras se preocupam em mencionar este episódio, o único relatado no texto bíblico a respeito da adolescência de Jesus. É o instante em que o Senhor assume, como homem, a responsabilidade pelo cumprimento da lei, cumprimento este que Deus quer que o homem tenha conhecimento de que ocorreu integralmente, como parte indispensável para a realização do plano para a salvação do homem (Mt.5:17). Os Evangelhos não são textos biográficos, ou seja, não têm a preocupação de contar fatos da vida terrena de Jesus, mas, sim, textos que têm por objetivo mostrar que Jesus é o Salvador do mundo, que a humanidade alcança a salvação na pessoa de Jesus.

- Jesus foi levado ao templo de Jerusalém pelos Seus pais, a fim de assumir Sua responsabilidade perante a lei de Moisés. Era o homem judeu que assumia Seu compromisso diante de Deus. Era a festa da Páscoa, a primeira das 21 Páscoas em que Jesus cumpriria Seu dever de Se apresentar perante o Senhor no templo. Ali, após ter assumido tal compromisso, Seus pais retornaram a Nazaré, mas perderam Jesus, que ficou em Jerusalém, no templo, discutindo com os doutores, a quem ouvia e a quem interrogava.

- Mais uma vez, vemos a demonstração da dupla natureza de Jesus. O adolescente Jesus vai ao templo para assumir Sua responsabilidade diante de Deus. É o homem que cumpre a lei e a ela Se submete. Entretanto, o Verbo, a própria Palavra, discute com os doutores da lei, interroga-os, apresenta-lhes as dificuldades das Escrituras. Foram três dias de debates e discussões, certamente a mais profunda e espiritual discussão que se teve naquele templo, cuja glória era superior ao do templo de Salomão (Ag.2:9).

- Jesus passara a infância crescendo e se fortalecendo em espírito, enchendo-Se de sabedoria, tendo sobre Si a graça de Deus. Agora, que assumia, como homem, a responsabilidade plena diante da lei de Moisés, Sua consciência também atingia seu ponto culminante e o homem Jesus tomava conta de que era o Filho de Deus. Ao ser repreendido pelos Seus pais, que O encontram três dias depois no templo, o adolescente Jesus mostra ter esta consciência quando diz a Maria: “…Não sabeis que Me convém tratar dos negócios de Meu Pai?…” (Lc.2:49 “in fine”).

- Ao mesmo tempo em que assumia a responsabilidade como homem perante Deus ante a lei de Moisés, o adolescente Jesus chegava à consciência de que era o Filho de Deus e, como tal, deveria fazer a vontade do Senhor. Não era, porém, o momento para iniciar esta obra, o que se daria apenas quando tivesse trinta anos de idade, ou seja, dezoito anos depois.

- Após esta demonstração de plenitude de consciência de Sua condição, que faz o adolescente Jesus? Desce com Seus pais para Nazaré, onde permanece sujeito a eles (Lc.2:51), ou seja, obediente e reverente a seus pais, como todo adolescente de seu tempo, como mandava a lei de Moisés, perante a qual assumira a responsabilidade quando fora a Jerusalém.

- A partir daí, a Bíblia quase nada mais nos revela a respeito da adolescência de Jesus. Sabemos, apenas, por inferência, que, durante estes anos, Jesus exerceu o mesmo ofício de Seu pai, ou seja, o de carpinteiro, em Nazaré, pois é chamado de carpinteiro e filho do carpinteiro pelos nazaritas, quando lá retorna, já quando iniciado o Seu ministério público (Mt.13:55; Mc.6:3). Vemos, portanto, que, na adolescência, Jesus aprendeu o ofício de Seu pai e o exerceu, em mais uma demonstração de que a “sagrada família” vivia a “porção acostumada de Agur” (Pv.30:8), dependendo do trabalho para a sua sobrevivência.

- Jesus, então, ensina-nos que, na adolescência, é tempo de se ter plenitude da presença de Deus na vida, conscientização do que Deus quer para a nossa vida, mas, também, tempo de empenho e esforço para ocupar uma posição na sociedade, posição esta a ser obtida mediante o trabalho. Vemos, pois, com grande preocupação o gesto de muitos pais crentes que, além de não cuidarem de seus filhos adolescentes, de modo a que tenham contacto com as Escrituras e obtenham a direção e orientação do Espírito Santo para as suas vidas, são alijados do trabalho, mantidos na ociosidade, o que os leva, seguramente, a uma vida de perversidade, desorientação e envolvimento com tudo aquilo que tem denegrido a nossa adolescência, como a prostituição, as drogas e a criminalidade.

- Os estudiosos da Bíblia, também, entendem que, nesta fase da vida de Jesus, tenha Ele ficado “órfão” de pai. Com efeito, após este episódio do templo, o nome de José não é mais mencionado nas Escrituras, embora o seja o de Maria, a indicar, portanto, que José não mais vivia. O fato de Jesus ser chamado pelos nazaritas de “carpinteiro” e “filho do carpinteiro” também é um fator a reforçar a tese de que José faleceu durante esta fase da vida de Jesus.

- Tornou-Se, assim, Jesus, ainda em tenra idade, “arrimo de família”, o responsável pelo sustento de toda uma prole, que não era pequena, já que a Bíblia nos informa que Jesus teve quatro irmãos e um número não mencionado de irmãs (Mt.13:55; Mc.6:3). Não foi uma vida fácil, o que faz com que Jesus Se identifique com todos aqueles que passam por situação semelhante na atualidade. Não é à toa que o profeta Isaías identificou o Messias como um homem “experimentado nos trabalhos” (Is.53:3). O desgaste sofrido por Jesus nesta época de Sua vida é uma das explicações porque aparentava ter Ele mais idade do que efetivamente a tinha, já que, certa feita, quando possuía pouco mais de 30 anos, foi considerado como alguém com quase 50 anos (Jo.8:57). Daí explicar-se porque tenha sido um homem sem parecer nem formosura (Is.53:2). Jesus Se fez pobre em todos os sentidos, para poder Se identificar com os homens. Aleluia!

OBS: Tanto Jesus era o “arrimo de família” que, na cruz, teve a preocupação de entregar Sua mãe aos cuidados de João (Jo.19:26,27).

- No exercício da Sua profissão, Jesus também nos dá um grande exemplo. Foi um exímio profissional. Quando Se apresentou em Nazaré, já no Seu ministério público, é chamado de “o carpinteiro”, ou seja, era um profissional reconhecido na sua cidade. Se é certo que Nazaré não deveria comportar mais de um carpinteiro, o fato é que, não tivesse tido uma adolescência e juventude exemplares, não poderia jamais Se apresentar com autoridade moral diante dos Seus conterrâneos. Além do mais, Justino, o primeiro filósofo cristão e grande defensor da fé, escreve, em 150 d.C., que, no seu tempo, havia notícia de peças de carpintaria que haviam sido feitas por Jesus, peças que eram bem valorizadas, numa demonstração de que Jesus foi um exímio profissional.

- Devemos fazer com que nossos adolescentes também iniciem a trabalhar nesta fase da vida, que aprendam a ser exímios profissionais e tenham noção da necessidade de ganharmos o nosso sustento com o suor do nosso rosto, como determinado por Deus ao homem em virtude do pecado (Gn.3:17-19). A conscientização da necessidade, do valor e da dignidade do trabalho são elementos indispensáveis para que o adolescente possa assumir sua posição na sociedade. Daí porque a imperiosa necessidade de os governos investirem na ampliação de oportunidades para o primeiro emprego, algo que, lamentavelmente, não tem sido desenvolvido por autoridades que mais preferem ter esmoleres que se tornem em eleitores cativos, tendência que nos faz ver a aproximação da ditadura do Anticristo.

OBS: Também aqui os “evangelhos da infância” trazem absurdos que nada têm de base bíblica. No “evangelho árabe da infância”, é dito que José era um mau carpinteiro e Jesus fazia os ajustes apenas estendendo a Sua mão. Sem falar no trono que José teria feito ao rei em Jerusalém e que faltava dois palmos, que apareceram, depois de um “puxão” de Jesus. Que absurdo, pois nega todo o caráter de trabalhador de Jesus, que seria, assim, apenas um mágico…

- As Escrituras mostram-nos, pois, claramente que Jesus passou toda a Sua adolescência e juventude em Nazaré, sustentando a Sua família, plenamente consciente de que era o Filho de Deus, aguardando o momento para Se manifestar ao povo de Israel. Daí porque não haver mais registros a Seu respeito na Bíblia, que é a revelação divina do plano da salvação, não tendo nada de especial quanto a este aspecto durante este período da vida de Jesus.

- Este silêncio bíblico, como não poderia deixar de ser, aguçou sempre a curiosidade humana, dando margem para a imaginação dos homens, quando não para a atuação maligna de distorção e construção de fábulas e mentiras. Não faltaram, pois, estudos e doutrinas a respeito deste período da vida de Jesus.

- Em 1894, por exemplo, o russo Nicolas Notovitch (1858-?) publicou um livro chamado “A vida desconhecida de Cristo” em que, com base em manuscritos obtidos junto ao convento budista de Himis, situado em Lek, capital de Ladak (região hoje dividida entre Índia, China e Paquistão), afirmou que Jesus esteve na região na Sua adolescência, dos 13 aos 29 anos de idade, identificando-O com “Issa”, um “buda” que ali é venerado (“budas” são espíritos iluminados). Este escrito foi difundido pelo movimento teosófico, base da “Nova Era”, que assim via uma forma de mostrar Jesus como alguém que havia sido ensinado no hinduísmo e no budismo. Nada mais absurdo, já que a doutrina de Cristo contraria frontalmente o que teria “aprendido” entre os monges budistas e hinduístas.

- Como se não bastasse isso, os trechos dos manuscritos trazidos por Notovitch apresentam os mesmos equívocos dos “evangelhos da infância”, ou seja, trazem a imagem de um menino prodígio, que falou quando ainda era bebê e que foi considerado como um “super-menino”. Segundo estes manuscritos, porém, quando passou a ser cortejado por famílias nobres e ricas, quando tinha 13 anos de idade, para se casar, embora fosse de família modesta, saiu secretamente de Israel e foi para a Índia. Nada mais absurdo e contrário ao plano de Deus para o homem.

OBS: Reproduzimos trechos destes manuscritos, para conhecimento de todos: “…”Um formoso menino nasceu no país de Israel e Deus falou pela boca deste menino explicando a insignificância do corpo e a grandeza da alma. O menino divino, a quem deram o nome de Isa, começou a falar, ainda criança, do Deus uno indivisível, exortando a grande massa extraviada a arrepender-se e a purificar-se das faltas que havia cometido. De todas as partes as pessoas acorriam para escutá-lo e ficavam maravilhadas diante das palavras de sabedoria que surgiam de sua boca infantil; os israelitas afirmavam que neste menino habitava o Espírito Santo. Quando Isa alcançou a idade de 13 anos, época em que um israelita deve tomar uma mulher, a casa onde seus pais ganhavam o pão, através de um trabalho modesto, começou a ser ponto de reunião de pessoas ricas e nobres que desejavam ter o jovem Isa por genro, pois era ele conhecido em toda parte por seus discursos edificantes em nome do Todo-Poderoso. Foi então que Isa desapareceu secretamente da casa de seus pais, abandonando Jerusalém, e se encaminhou com uma caravana de mercadores para Sindh (Paquistão), com o propósito de se aperfeiçoar no conhecimento divino e de estudar as leis dos grandes Budas.…” (INSTITUTO DE PESQUISAS PSÍQUICAS IMAGIK. Jesus não morreu na cruz. Disponível em: http://www.imagick.org.br/pagmag/themas2/jesusvivo.html Acesso em 05 dez. 2007).

- Todas estas especulações demonstram como tem operado o espírito do erro, como o inimigo tem procurado confundir as pessoas, de modo a que não creiam na verdade e, infelizmente, a rejeição que as pessoas demonstram com relação ao Evangelho as levarão, cada vez mais, a crer na mentira, a se deixarem seduzir pelo espírito do anticristo, pelo mistério da injustiça. Que levemos não só as crianças e adolescentes, mas nós mesmos a verdade a respeito da infância e adolescência de Jesus, a fim de que venhamos a ver nestas faixas etárias da vida de Nosso Senhor não especulações, mas a verdade da humanização do Senhor e o início do cumprimento de Seu propósito: a nossa salvação.

- A Bíblia sintetiza o período da adolescência e da juventude de Jesus de modo magistral: “E crescia Jesus em sabedoria, e em estatura, e em graça para com Deus e os homens” (Lc.2:52). Prosseguindo o desenvolvimento que tinha na infância, Jesus dava prioridade à sabedoria na Sua vida. Enquanto criança, já foi visto supra, havia um fortalecimento de espírito e busca de sabedoria. Agora, já consciente de Sua condição, Jesus continuava a crescer em sabedoria. Como diz o proverbista: “A sabedoria é a coisa principal; adquire, pois, a sabedoria; sim, com tudo o que possuis, adquire o conhecimento.” (Pv.4:7).

- Sabemos que a sabedoria é o próprio Jesus (I Co.1:24). Vemos, pois, que Jesus homem procurava encher-Se do Jesus Deus, o que somente era possível por uma vida de comunhão, de santidade, de escolha do bem e rejeição do mal. Nós, também, precisamos buscar com afinco esta sabedoria, que vem do alto, sem a qual não poderemos crescer espiritualmente e ter um caráter digno de um cristão.

- Mas, além do crescimento espiritual, Jesus, também, crescia em estatura. Teve um desenvolvimento biológico como o de qualquer outro ser humano. Jesus passou pela puberdade, teve desenvolvidos seus caracteres sexuais secundários, sem qualquer diferença dos demais homens, não tendo se prostituído por causa disto, num exemplo que deve ser dado aos adolescentes e jovens de nosso tempo, cuja erotização atinge níveis alarmantes e muitos dos quais têm suas mentes impregnadas da idéia de que a impureza sexual é inevitável. Jesus cresceu em estatura, mas, como crescera também em sabedoria, soube manter-se íntegro e fiel ao Senhor apesar das mudanças biológicas.

- Por fim, o texto sagrado nos mostra que Jesus cresceu em graça para com Deus e os homens, ou seja, construiu um comportamento, um caráter, um modo de vida agradável a Deus e aos homens. Tem sido esta a nossa conduta neste mundo? Temos sido pessoas que agradam a Deus e aos homens? Dirá alguém que não se pode agradar aos homens e a Deus simultaneamente, que o mundo jaz no maligno, o que não deixa de ser correto(Gl.1:10). Mas, também, as Escrituras mostram que, naquilo que desagradamos aos homens, se somos fiéis a Deus, será exatamente por termos feito o certo e o correto, admitido pelos próprios homens, embora por eles não seja praticado(I Pe.2:11,12). Embora possamos ser crucificados, como foi nosso Senhor, é indispensável que tenhamos o mesmo testemunho que Jesus teve de Pilatos: “…Não acho nele crime algum.” (Jo.18:39 “in fine”).

- A adolescência é um período de crescimento e, como tal, devemos tratá-lo. Embora seja um período de conflitos, de tomada de consciência, de aflições e angústias, pois se inicia a construção de uma vida, é imperioso que o adolescente seja levado a crescer em sabedoria, além de crescer em estatura, crescendo também em graça para com Deus e os homens. Isto se dá através de uma vida espiritual profunda, de sujeição aos pais, de exercício de uma profissão, de assunção de responsabilidades. É este o exemplo que nos deixou Jesus e só assim, no tempo certo, já na maturidade, teremos homens e mulheres que poderão fazer, na obra de Deus, coisas ainda maiores do que fez o Senhor Jesus (Jo.14:12).

sábado, 3 de maio de 2008

SOTERIOLOGIA

DOUTRINA DA SALVAÇÃO


INTRODUÇÃO


A salvação para o homem não é obra humana, pois a salvação vem de Deus. Isto significa que o homem depende inteiramente de Deus. A salvação se dá pela regeneração e pela renovação do Espírito Santo de Deus, assim o homem é justificado pela graça, mediante a fé, tornando-se herdeiro de Deus e alcançando a vida eterna.

CONCEITO DE SALVAÇÃO

Conceito de Salvação: [o vocábulo Gr. Soteria = cura, remédio, salvação, bem-estar + logia = ensino, estudo, doutrina, etc.]. Então SOTERIOLOGIA significa – estudo sistemático das verdades bíblicas acerca da salvação.

I. A PROVISÃO DA SALVAÇÃO.

As Sagradas Escrituras afirmam que Cristo é tanto o Autor como o Consumador da fé (Hb 12.2).

A designação de Autor refere-se à provisão da salvação mediante Jesus Cristo; e Consumador refere-se à aplicação desta salvação também mediante Cristo.

Vamos analisar as causas da provisão da salvação:

  1. O PECADO DO HOMEM.

Por causa da própria natureza caída, o homem, desde o seu nascimento até a sua morte, está em inimizade com Deus (Sl 51.5; Rm 7. 24).

O pecado é um estado mau da alma ou da personalidade. Desta forma, às escrituras apresenta o homem como um ser totalmente depravado, alienado da glória de Deus e destinado ao castigo divino (Rm 3. 23). Deste modo, por si só, o homem não pode se salvar (Rm 7. 18).

Sob a perspectiva divina, o homem é considerado alguém espiritualmente paralítico, aguardando o estender do braço salvador (Is 59. 16).

2. A GRAÇA DIVINA

No contexto da Doutrina da Salvação, a graça de Deus é abordada sob dois aspectos:

a) Como favor imerecido da parte de Deus, para com todos indistintamente (Jo 3. 16).

b) Como poder restringidor do pecado, operando na reconciliação do homem e sua santificação (Jo 1. 16; Rm 5. 20).

A proporção da graça que o homem recebe depende exclusivamente da sua decisão, independentemente da vontade de Deus, já manifesta. Por esta razão, nos adverte o apóstolo Pedro (vejamos 2 Pe 3. 18).

3. A PROVISÃO DE CRISTO

Apesar de estar empenhado na nossa salvação e segurança, não é querer de Deus declarar-nos inocentes simplesmente. Devemos ter em mente o fato de que Deus é um Deus não só de amor, é um Deus também de justiça. Portanto, para Deus declarar-nos inocentes independentemente da nossa conversão, seria uma ofensa a sua justiça. Seria um procedimento que entraria em choque com a sua santidade que declara que a alma que peca essa morrerá (Ez 18. 4, 20).

Então, como poderia Deus manter a perfeição da sua justiça e ainda assim salvar pecadores? A resposta está no fato de que Deus não desculpa o nosso pecado, pelo contrário, Ele o remove completamente.

Vejamos o que nos dizem as Escrituras (Jo 1.29).

Assim como o cordeiro para o uso nos sacrifícios da antiga aliança devia ser um animal sem nenhum defeito, ou mancha, de igual modo Deus requeria um cordeiro substituto perfeito, capaz de oferecer um único sacrifício suficiente para salvar a tantos quantos aceitasse o seu sacrifício (Hb 9. 14).

4. O ALCANCE DA SALVAÇÃO

Observe a seguinte indagação: “Por quem Cristo morreu?”.

Se a resposta for “Pelo mundo inteiro”, alguém dirá: “Porque então nem todas as pessoas são salvas?”.

Se a resposta for “Pelos eleitos”, outro articulará: “Deus é injusto, pois a salvação é limitada”.

A fim de equacionar esta questão, a Bíblia se nos oferece respostas:

a) A salvação é para o mundo inteiro (Hb 2. 9; 1 Jo 2.2).

b) A salvação é para os que crêem ( 1 Tm 4. 10; At 16. 31).

c) Alguns abandonarão a salvação. (2 Pe 2. 1).

II. O ASPECTO DIVINO DA SALVAÇÃO.

A salvação tem seu fundamento em Deus. Perguntas como: “Por que somos salvos” e “Como somos salvos”, só podem encontrar resposta verdadeira em algo fora do homem, em Deus. É este aspecto da salvação que vamos considerar aqui.

1. A PRESCIÊNCIA DE DEUS

“Presciência é o aspecto da onisciência relacionado com o fato de Deus conhecer todos os eventos e possibilidades futuros”.

Este atributo divino não interfere nas decisões do homem, nem do seu livre arbítrio.

As ações do homem não são permitidas ou impedidas simplesmente porque são previamente conhecidas por Deus.

Para uma melhor compreensão do assunto, você poderá ler as seguintes referências bíblicas: At 2.23; 26. 5; Rm 3. 25; 8. 29; 11. 2; 1 Pe 1. 2, 20; 2 Pe 3.17.

2. A ELEIÇÃO DIVINA

Eleição é o ato de eleger, escolha.

É o diploma divino com que é agraciado todo o que recebe a Cristo Jesus como seu único e suficiente salvador (Jo 3. 16).

A eleição subentende que a pessoa, mediante o sacrifício de Cristo, já atendeu a todos os requisitos exigidos pela justiça de Deus quanto ao perdão de seus pecados.

2.1. CONSIDEARAÇÕES SOBRE A DOUTRINA DA ELEIÇÃO

Na explicação da eleição, é preciso levar em conta as duas verdades bíblicas, que é a da soberania de Deus e a da responsabilidade do homem na salvação.

a) A INICIATIVA DE DEUS NA SALVAÇÃO

Deus é quem toma a iniciativa na salvação das pessoas.

A necessidade desta iniciativa vem do fato do homem estar morto espiritualmente e não poder operar a sua própria salvação (Ef 2. 1-3, 5, 6).

O pecador, sem a graça de Deus (1 Co 2. 14; 2 Co 4. 4; Ef 4. 18). Por isto, Deus toma a iniciativa na salvação do homem.

b) A RESPONSABILIDADE DO HOMEM

Não obstante a eleição, o homem ainda fica livre e responsável por suas decisões (Lc 9. 23; Ap 22. 17).

Deus trabalha no homem. A mente, as emoções, à vontade, a consciência do homem são trabalhadas (e não substituídas) por Deus, através do Espírito Santo e da Palavra, de maneira que o homem possa aceitar, ele mesmo, e com responsabilidade e vontade própria, a oferta de Deus.

No plano geral de Deus, a obra de Cristo visa a todos (Gn 12. 2; Mt 28. 19, 20; 1 Jo 2. 1, 2; Ef 3. 6; Tt 2. 11). Dentro desse plano geral vem a eleição; dentro da eleição está a liberdade e a responsabilidade do indivíduo (Rm 2. 12; Mt 11. 20-24).

A maior dificuldade em entender a eleição está no fator tempo. Daí a freqüência com que surge a seguinte pergunta: “Se a pessoa é eleita antes de lançados os fundamentos da terra, como, pois, a eleição pode ser baseada na fé em Cristo?”. Pedro responde esta pergunta, vejamos (1 Pe 1. 2). Baseado no seu conhecimento quanto à decisão que o crente tomaria, Deus o elegeu, antes mesmo de lançados os fundamentos da terra.

3. A PREDESTINAÇÃO

A doutrina da predestinação é uma das mais consoladoras doutrinas da Bíblia.

Sua essência repousa no fato de que Deus tem um plano geral e original para o mundo, que seus propósitos jamais serão frustrados.

3.1. DEFINIÇÃO DA PALAVRA “PREDESTINAÇÃO”

“Predestinação” – pré = antes + destinar = destino. Que é destinar com antecipação; escolher desde toda a eternidade, etc. Este termo é do ponto de vista literário.

Do ponto de vista divino, predestinação, segundo se depreende, assume um caráter de profundo significado e de infinito alcance.

Tal expressão vem do grego “proo-rdzo”, que, literalmente, significa “assimilar de antemão”;

A preposição grega “pro” faz essa palavra indicar uma atividade feita de antemão, etc.

Para entender melhor a Doutrina da Predestinação vamos lê João 3.16.

a) A PREDESTINAÇÃO É UNIVERSAL.

Deus, em seu profundo e inigualável amor, predestinou todos os seres humanos à vida eterna (At 17. 30; Jo 3. 17).

Ninguém foi predestinado ao lago de fogo que, conforme bem acentuou Jesus, fora preparado para o diabo e seus anjos (Mt 25. 41).

b) MAS O FATO DE O HOMEM SER PREDESTINADO A VIDA ETERNA NÃO LHE GARANTE A BEM-AVENTURANÇA.

É necessário que o homem creia no evangelho (Rm 1. 16). Somente assim poderá ser havido por eleito (Jo 5. 24; Mc 16. 16; Jo 3. 18-21).

III. O ASPECTO HUMANO DA SALVAÇÃO

Faz-se necessário abordarmos o aspecto humano da salvação.

A salvação é um ato que parte de Deus em favor do homem, e não do homem em favor de Deus. Haja vista a impossibilidade do homem em agradar a Deus por si só houve a necessidade da iniciativa divina em prover a salvação independentemente dos méritos humanos. Porém, existem três atos de responsabilidade do homem, embora nestes também o pecador dependa da graça de Deus para a sua realização. Estes atos são tratados aqui numa ordem que tem sentido apenas lógico, e não cronológico, porque, na verdade, eles se realizam simultaneamente.

1. ARREPENDIMENTO

2.1. EXIGÊNCIA DO ARREPENDIMENTO NA SALVAÇÃO

Arrependimento é o primeiro passo que se requer na salvação. Sem ele não há salvação. Os profetas do antigo testamento pregaram o arrependimento, implícito na idéia da salvação, como uma exigência básica de Deus para o livramento do povo (Dt 30. 10; Jr 8. 6; Ez 18. 30).

Arrependimento foi também o ponto alto na pregação de João, o Batista, como exigência do Reino de Deus (Mt 3. 2; Mc 1. 15).

Jesus seguiu a mesma linha de pregação do precursor, requerendo o arrependimento dos homens para a entrada no Reino de Deus (Mt 4. 17; Lc 13. 3-5).

O mesmo fez os apóstolos (Mc 6. 12; At 2. 38; 3. 19; 20. 21; 26.20). O arrependimento é uma ordem de Deus para todos os homens e em todos os lugares (At 17. 30).

2.2. SIGNIFICADO DE ARREPENDIMENTO

O arrependimento (gr. Metanoia) é essencialmente uma mudança na mente em relação ao pecado e a Deus.

O arrependimento envolve uma completa mudança de pensamento sobre o pecado e a percepção da necessidade de um salvador.

Esses são os passos que levam o homem ao arrependimento operado por Deus:

a) RECONHECIMENTO DO PECADO (Sl 51. 3,7)

b) TRISTEZA PELO PECADO (Sl 51. 1,2; 2 Co 7. 9,10).

c) ABANDONO DO PECADO (1 Jo3.9).

A pessoa arrependida quer fazer a vontade de Deus. Decide deixar o pecado e seguir a cristo.

2. EM JESUS CRISTO:

2.1. A EXIGÊNCIA DA FÉ PARA A SALVAÇÃO

Junto com a exigência do arrependimento para a salvação vem a fé em Cristo. A fé é o elemento essencial na salvação cristã. É por meio dela que a graça divina opera em nós. É pela fé em cristo que somos salvos (At 16. 31; Ef 2. 8; Rm 5. 1).

Paulo resume sua exortação aos cristãos da Galácia dizendo que “em Cristo Jesus nem a circuncisão nem a incircuncisão vale coisa alguma; mas sim a fé que opera pelo amor” (Gl 5. 6). A fé é básica no plano redentivo de Deus.

2.2. CONCEITO DE FÉ SALVADORA

A fé salvadora [Do gr. Pistenõ; Do lat. Salvadore] isto é, proveniente da proclamação do evangelho, esta fé leva-nos a receber a Cristo como nosso único e suficiente salvador (Jo 3. 16).

A fé salvadora só há de nascer no coração humano através da pregação do evangelho (Rm 10. 13-17). Sem a mensagem da cruz, não pode haver fé salvadora.

3. CONVERSÃO

3.1. SIGNIFICADO DE CONVERSÃO E SUA RELAÇÃO COM ARREPENDIMENTO E FÉ

Deus requer a conversão dos pecadores para que sejam perdoados e salvos (Is 55. 7; Jr 18. 11; Mt 18. 3; At 3. 19), como também exige arrependimento e fé (At 2. 38; 16. 31).

A conversão está intimamente associada ao arrependimento e a fé, mas destes pode ser distinguida. Num sentido mais geral, conversão inclui o arrependimento e a fé (At 3. 19; At 2. 38; At 16. 31).

IV. COMPOSIÇÃO DA SALVAÇÃO

1. UNIÃO COM CRISTO:

1.1. UNIÃO COM CRISTO COMO LUGAR DA SALVAÇÃO.

Em Cristo é o lugar onde se opera a salvação. Os homens estão em Cristo ou fora de Cristo, e por isto, salvos ou perdidos. Paulo declara que “Se alguém está em Cristo nova criatura é” (2 Co 5. 17). Recebemos todas as bênçãos espirituais como resultados de estarmos “em Cristo” (Ef 1. 3-14).

Em Romanos 6. 1ss, o apóstolo explica que o segredo da salvação efetiva na vida, capaz de produzir santificação e libertação, é a nossa união com Cristo, da qual o batismo é um sinal exterior.

Em João 15. 1ss, também está claro que a única maneira de se viver à vida cristã é na união com Cristo. Este é o ensino uniforme do novo testamento. No arrependimento, fé e conversão, o pecador é levado até Cristo e único a ele pelo Espírito Santo.

2. REGENERAÇÃO

A regeneração difere do arrependimento, fé e conversão no sentido de que ela é uma ação direta de Deus na vida do crente. O homem deve arrepender-se, crer e converter-se; assim Deus ordena. Mas não há mandamento para que o homem se regenere, pois esta é uma obra de Deus. Ela é o princípio essencial da salvação.

2.1. TERMINOLOGIA BÍBLICA

A Bíblia utiliza vários termos para referir-se ao que chamamos de regeneração.

Entre outros, ela fala de novo nascimento (Jo 3. 3) ou nascido de Deus (Jo 1.13; Jo 5. 1, 4); renovação pelo Espírito (Tt 3. 5); vivificação (Ef 2. 1, 5); nova criação (Cl 2. 13; 3. 1). O termo mais apropriado e utilizado na teologia é regeneração (Tt 3. 5; 1 Pe 1. 3). A idéia Bíblica é de que há um homem natural e outro regenerado, ou feito de novo em Cristo.

2.2. NECESSIDADE DA REGENERAÇÃO

Regeneração é uma exigência absoluta para a entrada no Reino de Deus (Jo 3. 3).

A razão disto é que o homem está morto em delitos e pecados (Ef 2. 1), e precisa de uma vivificação de fora para poder viver eternamente (Ef 2. 4-6).

Nessa vivificação o pecador é santificado, e sem esta nova vida moral e espiritual ele não poderia ter comunhão com Deus (Hb 10. 10; 12. 14).

Além disto, o padrão ético-religioso de Jesus para os seus seguidores está muito acima daquilo que o homem natural pode atingir. Ele requer uma justiça acima da “dos escribas e fariseus” (Mt 5. 20); o caráter dos cidadãos do Reino de Deus é muitíssimo elevado (Mt 5 a 7); o alvo de perfeição é o próprio Pai celestial (Mt 5. 48); o amor para com Deus deve ser incondicional (Mt 22. 37s).

Por tudo isto se requer uma nova vida, vinda de Deus para dentro do coração do homem, conforme Ele mesmo prometeu fazer muito tempo antes (Jr 31. 33, 34; Ez 36. 26,27).

2.3. SIGNIFICADO DE REGENERAÇÃO

Regeneração é o ato de Deus pelo qual Ele muda a disposição moral da alma do indivíduo, na união com Cristo, tornando-o moral e espiritualmente semelhante a Cristo. Deste conceito podemos destacar os seguintes aspectos:

2.3.1 REGENERAÇÃO COMO UM ATO DE DEUS

É Deus quem opera a regeneração, pelo seu Espírito (Jo 1. 13; 3. 5, 6; Tt 3. 5; 1 Pe 1. 3).

O Espírito Santo convence o homem “do pecado, da justiça e do juízo” (Jo 16. 8). Ele purifica e renova o coração e a alma.

A palavra de Deus é o instrumento que o Espírito Santo usa na regeneração (Rm 1. 16; 1 Co 1.21; 1 Ts 2. 13; 1 Pe 1. 23).

O pregador pode semear a palavra e cuidar da semente, mas só Deus dá o crescimento (1 Co 3. 6).

2.3.2 REGENERAÇÃO COMO MUDANÇA NA ALMA

Na regeneração Deus muda a disposição moral dominante da alma do pecador. Romanos 8. 5-7, diz como é a disposição moral dominante de quem não é regenerado:

a) É carnal, isto é, recebe seu impulso dominante da própria natureza humana, no seu estado de depravação ou corrupção, e não do Espírito de Deus.

b) É também mortal, quer dizer, tem em si o germe da morte e conduz pra lá.

c) É ainda inimiga de Deus e insubmissa a lei divina.

As inclinações naturais do não regenerado são, em sua natureza moral, concupiscentes, infames e depravadas (Rm 1. 24, 26, 28).

O homem, por natureza, está morto em delitos e pecados, e como tal é levado como um cadáver por uma tríade infernal: o mundo, o diabo e a carne (Ef 2. 1-3).

Na regeneração, esta situação do homem natural é revertida. A paixão dominante da alma converte-se em amor para com a justiça e ódio para com o pecado (1 Jo 3. 6-9).

Produz-se no crente a imagem moral e espiritual de Cristo (Rm 8. 29; 1 Jo 3.2).

O velho homem morre crucificado com Cristo (Rm 6. 6), e ressurge um novo homem, que se renova para a eternidade (cl 3. 9, 10).

2.3.3 REGENERAÇÃO E A UNIÃO COM CRISTO

O lugar onde se opera a regeneração é em Cristo (2 Co 5. 17). Nele o velho homem morre e o novo homem é criado (Ef 2. 10).

Esta união é obra do Espírito Santo naquele que crê; com isto ele é unido a Cristo pelo Espírito Santo (Ef 1.13).

2.3.4 REGENERAÇÃO E SEMELHANÇA MORAL COM CRISTO

Nasce no regenerado um novo homem, que segundo Deus foi criado em verdadeira justiça e santidade (Ef 4. 24). Em princípio, o regenerado se torna semelhante a Cristo. Ele não pode mais descansar numa vida de pecado. Por causa da luta ou guerra espiritual do crente com o pecado (Gl 5. 16-17). É disto que nasce o impulso da santificação, como um processo de conformação contínua do crente com a imagem de Cristo (Rm 12. 1-2).

2.4. EFEITOS DA REGENERAÇÃO

A regeneração produz efeitos posicionais, espirituais e práticos.

1) EFEITOS POSICIONAIS

É a condição de filho de Deus por adoção (Jo 1. 12, 13; Rm 8. 16; Gl 4. 6); como filho, o crente é também herdeiro de Deus e co-herdeiro de Cristo (Rm 8. 17), cuja herança fica assegurada no céu (1 Pe 1. 4). Além disto, por ser filho o crente goza do acesso ao Pai Celestial e tem comunhão com Ele (Rm 5. 1ss).

2) OS EFEITOS ESPIRITUAIS

São as virtudes que o crente recebe do Senhor na sua alma (Gl 2. 20). “Ele é fortalecido no Senhor e na força do seu poder” (Ef 6. 10; 3. 16-19).

3) OS EFEITOS PRÁTICOS

Aparecem na vida do crente no dia-a-dia. Ele busca a vida de justiça, santidade, amor e verdade (Ef 4. 22ss). Ele pratica o amor fraternal, serve a Cristo e aos irmãos. Produz as obras que é o fruto da vida em Cristo (Gl 5. 22; Ef 5. 9-11).

3. JUSTIFICAÇÃO

3.1. O LUGAR DA JUSTIFICAÇÃO NA BÍBLIA

A justificação é uma doutrina importante na ordem da salvação, a julgar pela ênfase e importância que a Bíblia dá a ela. É o apóstolo Paulo quem desenvolve e mais enfatiza a doutrina da justificação, especialmente em Romanos e Gálatas (cf. Rm 3. 24, 25, 26; 4. 25; 5. 1,16, 18; 8. 33; Gl 2. 16; 3. 11; At 13. 39). Mas não foi apenas Paulo que falou dessa doutrina. O profeta Isaías já havia se referido a ela como uma obra do Messias, que iria justificar a muitos (Is 53. 11). Jesus Cristo também fez menção à justificação quando disse que o pecador publicano “desceu justificado para a sua casa” (Lc 18. 14).

Portanto, trata-se de uma doutrina bíblica, que foi desenvolvida pelo apóstolo aos gentios, no contexto cultural greco-romano, enfatizando o aspecto judicial da salvação.

3.2. O SIGNIFICADO DE JUSTIFICAÇÃO

Justificação pode ser definida com o ato de Deus declarar o pecador perdoado, livre da condenação, e restaurado ao favor divino. Com base neste conceito, podemos fazer os seguintes destaques relativos à justificação.

3.2.1 O SENTIDO JUDICIAL DE JUSTIFICAÇÃO

Justificação é um ato judicial de Deus. Ela ocorre diante do tribunal divino e não na alma humana do homem, como acontece com a Regeneração.

A justificação significa que o pecador foi julgado em Cristo, está perdoado, é aceito como justo diante de Deus, e fica absolvido da condenação eterna (Jo 5. 24; Rm 8. 1, 33).

3.2.2 O PERDÃO NA JUSTIFICAÇÃO.

Justificação implica no perdão dos pecados, por isto não há mais condenação (cf. Lc 18. 14; Jo 5. 24; Rm 8. 1). Todos os pecados são tratados na justiça de Cristo, aqueles já cometidos e os que ainda vierem a ser praticados, pois o perdão remove toda a culpa do indivíduo diante do trono de Deus, e garante seu pleno livramento da condenação eterna. A provisão para o perdão dos pecados futuros já fora feita (1 Jo 2. 1,2). Entretanto, o justificado, ao cometer pecado, deverá confessá-lo e apropriar-se do perdão oferecido para não carregar o peso da culpa na sua consciência e sofrer os efeitos disto na sua relação com Deus (cf. Sl 32. 3-5; 51. 1-13).

3.2.3 RESTAURAÇÃO NA PRESENÇA DIVINA

A justificação vai além do perdão e da absolvição; há também um aspecto positivo: uma nova relação com Deus e nova condição de vida. Os justificados são recebidos diante de Deus como filhos amados e alvos de todos os favores da graça divina. A “adoção de filhos”, que é um ato legal e não natural, resulta da justificação (Rm 8. 15, 16). Junto com a adoção vem o direito de herança no reino de Deus (Rm 8. 17; 1 Pe 1. 4) e o recebimento do Espírito Santo (Gl 4. 6; Rm 8. 9ss).

Os justificados recebem “herança entre aqueles que são santificados” (At 26.18). Eles gozam da “paz com Deus”, e têm “acesso” à graça de Deus, e contam com a “esperança da glória de Deus” (Rm 5. 1,2). A justificação traz consigo a reconciliação do indivíduo com Deus e a certeza de salvação (Rm 5. 9, 10). Os favores divinos na justificação incluem também a garantia daquelas coisas futuras que acompanham a salvação: novo corpo, novo céu e nova terra, nova comunhão com Deus (Rm 8. 11, 23, 29, 30).

3.2.4 O SENTIDO ESCATOLÓGICO DA JUSTIFICAÇÃO

A justificação, como relação com o juízo final de Deus, tem um caráter essencialmente escatológico. É um ato de Deus presente que encontra sua substância num acontecimento futuro. Sem a realidade do juízo final de Deus a justificação não teria sentido.

Para o crente em cristo, Deus antecipa a decisão do futuro e o declara absolvido da condenação. Portanto, a justificação deve ser recebida pela fé, “esperança”, como toda a salvação (Rm 8. 24). Temos por certo algo que só haveremos de receber completamente no futuro.

3.2.5 A BASE DA JUSTIFICAÇÃO

Como pode Deus justificar o pecador sem que ele se torne injusto? A expiação de Cristo na Cruz responde a questão (Rm 3. 25, 26). O sofrimento de Cristo significa o pagamento da culpa de todos os nossos pecados, o cumprimento da Lei que condena, de modo que, unidos a Ele pela fé morremos com Ele e ficamos livres da condenação da Lei, e somos declarados justos e absolvidos da nossa condenação.

A base da justificação é a justiça alcançada pelo filho de Deus (2 Co 5. 14, 15, 19, 21).

V. CONTINUIDADE E CONSUMAÇÃO DA SALVAÇÃO

O arrependimento, a fé a conversão, a união com Cristo, à regeneração e a justificação são atos salvíficos que acontecem no início da vida cristã. Sem eles não se pode dizer que a pessoa recebeu a salvação. Mas durante toda a vida do crente, desenvolve-se nele a experiência de salvação, através do processo da santificação. No final da sua existência terrena, o crente é glorificado, consumando-se nele a gloriosa salvação. Em todo este processo, a graça de Deus atua de modo a garantir a vida eterna. Portanto, santificação, glorificação e preservação são os três tópicos que vamos estudar aqui.

1. SANTIFICAÇÃO

1.1 CONCEITO DE SANTIFICAÇÃO

Santificação é a obra contínua do Espírito Santo pela qual Ele vai conformando o crente à imagem de Cristo.

A palavra santificação traduz duas idéias básicas ou fundamentais: Separação para Deus e Purificação.

Santificação é o processo pelo qual o crente é separado do pecado e simultaneamente preservado e estimulado para a santidade e serviço a Deus. Esta separação para Deus implica em purificação (cf. Lv 11. 44ss; i Ts 4. 3; 5. 23).

Purificação moral é um elemento de santidade (1 Pe 1. 15; 2 Pe 1. 4). Por isto que santificação, como um processo contínuo, implica em mortificação constante do homem velho (Rm 6. 6; Gl 5. 24; Ef 4. 22) e renovação do homem novo (Ef 4. 24; Cl 3. 3-10).

A idéia de santificação aplicada aos cristãos deve ser vista sob três perspectivas, que podemos chamar de santificação posicional ou objetiva, santificação progressiva e santificação futura.

a) SANTIFICAÇÃO POSICIONAL OU OBJETIVA

No ato da regeneração, todos os crentes são santificados e, portanto, são santos, porque já estão separados para Deus e purificados (Rm 1. 7; At 9. 13; 1 Co 1.2; 2 Co 1.1; Ef 1.1; Cl 1.2).

b) SANTIFICAÇÃO PROGRESSIVA

Isto é, o Espírito Santo continua trabalhando na vida do cristão regenerado, a fim de que ele desenvolva o seu caráter e a sua personalidade, à luz do padrão perfeito, que é Cristo: neste sentido somos exortados a que nos santifiquemos ainda mais (Ef 4. 17ss; Cl 3. 1ss; 1 Ts 5. 23; Hb 12. 14; 1 Pe 1. 13ss). Significa que o Espírito Santo continua no processo da nossa separação para Deus e purificação, até o dia final, quando então seremos aperfeiçoados diante de Deus, e seremos perfeitos como Cristo o É (1 Jo 3. 2, 3): isto é a SANTIFICAÇÃO FUTURA.

1.2 ELEMENTOS DECISIVOS NA SANTIFICAÇÃO

1.2.1. O ESPÍRITO SANTO

É o Espírito Santo que efetua no crente a santificação, tanto aquela inicial (posicional) (Tt 3. 5; 1 Pe 1. 2) como a que se desenvolve durante a vida cristã (progressiva) (2 Co 3. 18; Rm 8. 13; Ef 3. 16; Gl 5. 16).

O Espírito Santo ensina, convence, guia a toda a verdade e fortalece o crente. Ele se dispõe a habitar em plenitude no crente para desenvolver no cristão a sua santificação (Ef 5. 18; Gl 5. 16). Sem essa presença abundante do Espírito na vida, o crente fica a mercê de suas fraquezas morais e espirituais.

1.2.2. UNIÃO COM CRISTO

A santificação acontece na união com Cristo. Santificação é o processo pelo qual o Espírito Santo torna cada vez mais real em nossa vida, nossa união com Cristo em sua morte e ressurreição. A vida cristã é uma questão de nos tornarmos em nível de caráter intrínseco o que já somos em Cristo. Tornar-se o que é (Ef 5. 8).

O cultivo da união consciente com Cristo é fundamental para o progresso da santificação (Jo 15. 4, 5; Gl 2. 20; Ef 3. 17).

1.2.3. A PALAVRA DE DEUS

A palavra de Deus é o instrumento do Espírito Santo na santificação do crente (Jo 17. 17; 2 Tm 3. 17; Jo 15. 3).

A palavra de Deus é viva e penetra até as profundezas da alma, sonda o íntimo, traz à luz da consciência o pecado, convence o crente a abandonar o erro, faz crescer (Hb 4. 12; 1 Pe 1.23; 2.2). Tudo isto Ela faz porque é uma palavra inspirada de Deus e é usada pelo Espírito Santo.

1.2.4. O ESFORÇO DO CRENTE

A santificação é uma obra do Espírito de Deus feita em cooperação com o crente. O indivíduo, como ser pessoal, é elemento decisivo na santificação. Ele há de buscar a vontade de Deus na sua palavra, precisa buscar o enchimento do Espírito Santo, deve ser submisso e obediente à palavra de Deus; O crente tem de lutar contra o pecado que ameaça alojar-se em sua vida, precisa deixar o pecado e consagrar-se inteiramente a Deus (cf. Rm 6.11-13; Cl 3. 5ss; Fl 2.12,13; 1 Pe 1. 13-22).

1.2.5. A ORAÇÃO

Elemento também decisivo na santificação da vida cristã é a oração. É pela oração que o crente cultiva sua relação com Aquele que é Santo e que santifica. Oração é o alimento da comunhão pessoal do santificado com o Santificador.

É na oração que se aguça a percepção espiritual, tanto para reconhecer os pecados na vida como para vislumbrar a glória da santidade de Deus. Desse contraste surge o quebrantamento e o arrependimento, que impulsionam a santificação (Is 51. 17; Is 57. 15).

2. GLORIFICAÇÃO

A salvação na vida do indivíduo opera-se em etapas diferentes. Ela tem um começo, um desenvolvimento e uma consumação. No começo da salvação destacamos o arrependimento, a fé, a conversão à união com Cristo, à regeneração e a justificação. Os três últimos são atos exclusivos de Deus na vida de quem se arrepende, crê e se converte a Cristo. No desenvolvimento da salvação temos a santificação. Na consumação, está a glorificação. É na glorificação que o crente pode experimentar a plenitude da salvação. Portanto, a salvação tem um tempo passado, outro presente e outro futuro. O conteúdo maior da experiência da salvação está no futuro (Rm 8. 24; 13. 11; 1 Pe 1. 3-5; 2. 1, 2; 1 Jo 3. 2).

2.1 O SIGNIFICADO DA GLORIFICAÇÃO

O termo glorificação aqui é empregado para designar tudo àquilo que está incluído na salvação futura, a partir da morte física, mas especialmente seguindo-se a volta de Cristo. Alguns textos ressaltam essa glória que será dos salvos (Rm 5. 2; 8. 18; 2 Co 4. 17; Cl 1. 27; 1 Pe 1. 4-9). As experiências de aflições do crente no mundo presente são amenizadas com a esperança de Glória no mundo vindouro.

2.2 ASPECTOS DA GLORIFICAÇÃO

Não sabemos tudo que está incluído na glorificação. Mas a Bíblia nos revela alguns aspectos dessa glória vindoura.

2.2.1. NOVO CORPO

Na ressurreição os crentes terão um novo corpo, corpo glorificado, isto é, adaptado as condições de existência do mundo vindouro (Lc 20. 35, 36; Rm 8. 23; 1 Co 15. 51ss; Fl 3. 21). Aquele corpo não estará mais sujeito as condições ou as leis desta criação, mas será corpo espiritual, quer dizer, regido por leis do espírito, da nova criação, tal qual o corpo ressurreto de Jesus.

2.2.2. NOVA COMUNHÃO COM DEUS

Novo céu e nova terra, nova Jerusalém, são expressões bíblicas que indicam uma nova habitação para os remidos do Senhor (Fl 3. 20; Hb 11. 16; 2 Pe 3. 13; Ap 21. 1-4). Se o pecado arruinou a morada de Deus com os homens aqui na terra, na redenção Deus proveu uma nova terra, nova morada, onde Deus estará com os homens.

2.2.3. NOVA COMUNHÃO COM DEUS

Nossa relação com o Pai e com o Filho neste mundo é pela fé. Estamos ausentes do Senhor (2 Co 5. 6).

Nossos privilégios de filhos de Deus são ainda precários (1 Jo 3. 2; Rm 8. 23, 26), mas na glorificação teremos uma aproximação perfeita com Deus e com Jesus Cristo (2 Co 5. 6-8; i Jo 3. 2; Ap 21. 3,4; 22.4). A promessa para o final é que veremos a sua face; e nas suas frontes estará o seu nome (Ap 22. 4).

2.2.4. LIBERTAÇÃO PLENA DO PECADO

Na justificação o crente é libertado da culpa e do castigo do pecado; na regeneração e na santificação a libertação é do poder do pecado na vida; na glorificação a libertação é não só das conseqüências e do poder do pecado, mas também da presença do pecado, e de modo completo. O pecado não mais existirá na alma nem no mundo dos salvos e não mais interferirá na relação com Deus e com o próximo. Os salvos são normalmente perfeitos (Hb 12. 23; 2 Pe 1.4; Ap 21. 27). Uma nova sociedade surgirá dos remidos de Cristo. Desta forma, a salvação estará consumada.

CONCLUSÃO

Portanto, a salvação tem um caráter essencialmente escatológico. As experiências de salvação desfrutadas no tempo presente são apenas indícios e antecipação parcial das bênçãos futuras. A fé e a esperança são agora as virtudes cristãs que ligam o crente do conteúdo escatológico da salvação. O amor é a conseqüência prática da fé e da esperança (Gl 5. 6; 1 Tm 1. 5; 2 Pe 1. 5-7).

Na visão escatológica da salvação, o crente encontra sentido e encorajamento para a sua vida cristã terrena. Sem esta perspectiva, “somos de todos os homens os mais dignos de lástima” (1 Co 15. 19).